
Crônica do meu 4° Livro.
Saber a hora de passar o bastão!
É preciso exercitar o desapego. Os tempos mudaram e aquilo que já era bom ficou ainda melhor. Hoje, precisamos aproveitar ao máximo o tempo que temos para viver. Afinal, de que adianta trabalhar, formar fortunas, acumular patrimônio e não viver as delícias da vida, deixando tudo para os herdeiros? O verdadeiro legado não é apenas o patrimônio construído, mas principalmente, os valores, a cultura e os princípios que permanecem vivos na empresa e na família.
Nada de apego ao passado ou de saudosismo com a famosa frase: “No meu tempo era assim.” Agora não é mais. Os tempos mudaram — e muito.
O objetivo de uma empresa continua sendo o mesmo: crescer, atender bem os clientes e oferecer qualidade. A diferença é que, hoje, existem ferramentas, tecnologias e modelos de gestão muito diferentes dos de antigamente. Vivemos uma realidade mais moderna, dinâmica e extremamente competitiva. Quem insiste em administrar o presente com as ferramentas do passado corre o risco de comprometer o futuro.
Isso não significa que o seu tempo acabou ou que seja hora de vestir o pijama e ir para casa. Significa que chegou o momento de viver novas experiências. Viajar. Conhecer lugares que você sempre quis visitar. Se tiver netos, aproveitar a companhia deles, porque são esses momentos que permanecerão na memória, muito mais do que o cargo ou o tamanho da empresa que você construiu.
Essa nova fase também reserva um papel igualmente valioso: o de ser um conselheiro. Passar o bastão não significa desaparecer. Significa permitir que a nova geração tenha autonomia para decidir, experimentar e crescer, sabendo que, sempre que precisar, encontrará em você alguém para orientar, compartilhar experiências e transmitir segurança. A melhor sucessão acontece quando existe liberdade para liderar e confiança para recorrer à sabedoria de quem construiu o caminho.
Você certamente já realizou muito, enfrentou inúmeros desafios e deixou sua marca. Agora pode ser a hora de passar o bastão para a pessoa certa. Com a preparação adequada, essa pessoa poderá levar a empresa ainda mais longe. Um bom sucessor não apaga a história do sucedido; ele dá continuidade a ela e escreve novos capítulos.
E esse é um ponto fundamental: sucessão não acontece por acaso. É preciso preparar quem vai assumir. Ninguém deve assumir um negócio sem conhecê-lo profundamente e, principalmente, sem ter vontade de fazê-lo.
Um dos maiores erros de quem está sendo sucedido é esperar que o filho ou herdeiro seja exatamente como ele e assuma a empresa apenas por obrigação, mesmo sem conhecer o negócio ou sem ter vocação para isso. O sucessor deve preservar a cultura da empresa, mas também precisa ter identidade, competência e propósito. Empresas familiares prosperam quando tradição e inovação caminham lado a lado.
O erro também pode acontecer do outro lado: o filho que aceita assumir a empresa apenas para agradar ao pai, mesmo sabendo que seu talento está em outra área. O resultado, quase sempre, é a frustração de ambos e prejuízos para o negócio.
Eu vivi esse processo. Fiz a sucessão da minha filha, que trabalha comigo desde 2008 e, hoje, conduz a empresa com maestria. Continuo como presidente do conselho e costumo brincar que tenho reunião todas as quintas-feiras: entro sem saber de nada e saio sabendo menos ainda.
Tenho muito orgulho dos meus três filhos, que trabalham comigo. Cada um encontrou seu espaço por mérito, competência e dedicação. Nunca houve obrigação, apenas oportunidades. Sempre acreditei que uma empresa familiar só permanece forte quando os laços de sangue jamais substituem o mérito.
Aprendi que liderar também é saber confiar. Depois de preparar pessoas e construir uma cultura sólida, chega o momento de permitir que a nova geração tome suas próprias decisões. Nem sempre elas serão iguais às nossas, mas isso não significa que serão piores. Muitas vezes, serão melhores.
Saio, acima de tudo, orgulhoso por ter tomado a decisão certa, na hora certa. Descobri que passar o bastão não é perder espaço; é garantir que a corrida continue sendo vencida, bem como a perpetuidade da empresa.
“O líder não é aquele que sabe o caminho, mas aquele que mostra o caminho.”
John C. Maxwell
Julio Cesar Soares da Silva
1 comentário
Nídia Menezes kirjner · 15/08/2026 às 15:04
Show verdade temos que ir a luta mesmo.sem vontade, mesmo achando.que não vai dar certo que não vai.adiantar nada. Só assim sem desistir talvez se consiga alguma coisa na vida. Vamos a luta até vencer ou tentar vencer pelo menos senão não conseguiremos nada.